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Games, telas, crianças e adolescentes

Games, telas, crianças e adolescentes



Quero iniciar hoje, convidando você para lembrar de sua infância e adolescência. Quais eram as brincadeiras que você mais gostava? Como era a interação com as outras pessoas e com o mundo? Percebe quanta mudança aconteceu nas últimas décadas? Muitas vezes ouvi pessoas de uma geração dizendo à outra, frases que começam assim: _ Na minha época [...]. Você já ouviu também? Estas afirmações podem demonstrar saudades de um tempo antigo e também refletir a dificuldade de compreender as gerações que vieram depois.

Dentre as mudanças que aconteceram nas últimas décadas, a internet teve um grande impacto sobre as relações humanas. Nesta perspectiva, os jogos online têm se apresentado como “o novo playground” e um desafio emergente é compreender como as crianças e adolescentes interagem com esta tecnologia para sabermos como utilizar estes recursos de forma saudável. A seguir, trarei informações sobre a influência dos jogos e das telas no desenvolvimento de crianças e adolescentes. Ao final deixarei sugestões de como amenizar o impacto destas tecnologias no desenvolvimento delas (e no nosso, que é semelhante em alguns aspectos).


Como os GAMES influenciam o comportamento das crianças e adolescentes?

Culpar novas tecnologias pela violência e outros comportamentos não é algo recente. Em 1954 o psiquiatra alemão Fredrich Wertham publicou um livro chamado Seduction of the Innocent (sedução de inocentes), alegando que as histórias em quadrinho transformavam as crianças em delinquentes. A repercussão desse debate levou a indústria de quadrinhos a criar um selo que indicava os gibis que as crianças poderiam acessar, e ainda hoje você pode conferir esta indicação etária nos livros, filmes e séries.


Pouco depois, nas décadas de 60 e 70, foi a vez da televisão. O psicólogo canadense Albert Bandura realizou uma pesquisa na qual crianças foram expostas a experimentos para verificar se eram influenciadas pela televisão a terem atitudes violentas. Concluiu-se que as crianças aprendem e imitam adultos, não sendo possível correlacionar tais comportamentos à televisão somente. Na linha defendida por Christopher Ferguson, que pediu para voluntários jogarem um game onde o objetivo era matar zumbis para proteger os amigos, demonstrou redução da agressividade destes adolescentes após participarem do experimento.

Há também trabalhos liderados pelo americano Craig Anderson, professor de psicologia, verificando em experimentos o aumento da agressividade em jovens após alguns dias de exposição a jogos violentos. Segundo ele, teria ocorrido uma dessensibilização destes jovens pela constante exposição à violência, o que teria afetado a percepção da realidade, normalizando atos violentos. A Associação de Psicologia Americana em 2004 citou que os pais podem moderar os efeitos negativos da agressividade em crianças e não são só jogos que merecem atenção. A violência em qualquer meio ou mídia pode influenciá-la.


Alguns efeitos das telas no cérebro

● Nas telas (computadores/celular/TV/tablet) as informações estão prontas, o mundo real exige maior esforço cerebral para gerar alegria e satisfação;
● O cérebro então vai ficando “preguiçoso”, aumentando a resistência à atividades no plano real;
● A criança/adolescente e até mesmo nós, adultos, ficamos cada vez mais impacientes diante do ócio;
● A impaciência pode gerar irritação, o que desperta a raiva, aumentando a probabilidade de termos comportamentos agressivos;
● Com o tempo, nos tornamos incapazes de nos entreter sem as telas, ficando ausentes de nossas próprias vidas.


Tempo indicado para uso de telas por idade:

● 0 a 2 anos - não expor a criança às telas. Nesta fase ela precisa de muito estímulo sensorial REAL (sentir os cheiros, gostos, toque, visão, audição);
● 3 a 5 anos - de 1 a 2 horas no máximo. Nesta fase, estimule brincadeiras físicas e contato com a natureza, ela precisa com mais intensidade que nós, explorar o mundo interno e externo através da experiência corporal. Quanto mais real e natural for a experiência, mais rica para o desenvolvimento ela será;
● 6 a 11 anos: o tempo ideal é manter no máximo 2 horas;
● Sabe-se que, com as aulas online, o tempo precisou aumentar muito e ainda não temos estudos sobre o impacto destas mudanças no desenvolvimento. Desta forma, deixo a seguir, algumas sugestões que poderão reduzir o impacto das telas no desenvolvimento das crianças e adolescentes.

O que podemos fazer para reduzir o impacto dos GAMES e TELAS no desenvolvimento das crianças e adolescentes?

● Crie uma rotina: estabelecer o horário do dia para usar as telas, ajudará a criança e o adolescente aprender a esperar (paciência) e exercer a criatividade para ocupar as horas sem tela. Faça isso com eles, estabeleça o tempo limite e deixe-o sugerir qual é o melhor horário para fazer o uso, refletindo em conjunto. Quando eles participam da decisão, aumenta a probabilidade de cumprirem;
● Participe da vida online deles, esteja aberto(a) para dialogar sobre tudo o que eles estão vivenciando neste meio;
● Envolva-se genuinamente, demonstre interesse em saber como é o jogo, qual é o objetivo, quem são os personagens, o que ele(a) mais gosta no jogo, jogue junto se possível (o mesmo interesse genuíno para redes sociais no caso dos adolescentes), desta forma você não precisará “monitorá-lo(a)”, pois ele(a) mesmo lhe dará abertura para adentrar seu mundo;
● Em oposição a sugestão anterior, quanto mais você “monitorar” e fazer julgamentos negativos sobre o que eles gostam, tanto mais eles irão se afastar, se isolar, ou até mesmo usar escondidos;
● Conexão com o mundo real: seja criativo(a), jogos de mesa nos dias de recolhimento, futebol de meia no corredor, desafios com papel e caneta, contato com a natureza, pescar, acampar, fazer fogueira, observar as estrelas deitados na grama, pega-pega, esconde-esconde, etc, traga um pouco da sua infância à tona e envolva-se com eles!
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William Lima
Psicólogo
CRP-12/15479

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