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Festa Junina - uma visão sistêmica

Olhando para o tempo remoto, vamos percebendo de onde vêm nossas raízes. Elas são profundas, não temos noção da profundidade

Festa Junina - uma visão sistêmica
Foto: Desenho Colégio Estadual Dr. Mário Augusto Teixeira de Freitas

Desde a antiguidade, vários países ocidentais comemoram o ciclo junino. É época de colheita, mudança de estação e de contemplar o solcístico (dias ou noites muito longas); momento de homenagear a deusa Juno, deusa da prosperidade. E os festejos aconteciam, desde os povos primitivos, ao redor de fogueiras.

 
Olhando para o tempo remoto, vamos percebendo de onde vêm nossas raízes. Elas são profundas, não temos noção da profundidade.
 
As pessoas vão mudando, as crenças vão sendo substituídas e um novo perfil  festivo vai surgindo, não muito longe da origem. Com o cristianismo surgem os santos do mês de junho que substituem a deusa Juno. Então a homenagem é a São João (festa joanina) ou também a São Pedro e Santo Antônio (festa junina). 
 
Os portugueses colonizam novas terras e levam consigo a tradição já contribuída por vários povos: os franceses contribuíram com a dança marcada; chineses - fogos de artifício; portugueses e espanhóis - fitas coloridas. Foi assim que chegou ao Brasil. E aqui tudo ganhou mais brilho com os imigrantes, indígenas e afro-brasileiros. Eles influenciaram a culinária, as danças e os ritmos musicais. 
 
Como esses povos não eram cristãos, o sincretismo fez a correspondência das culturas. Xangô, é um orixá, deus do trovão e da justiça - corresponde a São João e São Pedro; Ogum, orixá guerreiro, e Exú - correspondem a Santo Antônio.
 
Comidas típicas de influência afro: mugunzá - milho cozido; xerém - papa de farinha de milho; rapadura - de açúcar; cuscuz - massa de farinha de fubá; pé-de-moleque - açúcar e amendoim...
 
As músicas trazem ritmos diferentes da tradicional quadrilha e suas letras apresentam terminologias afro como "Iaiá", "ioiô". Termos que vem de senhora - sinhá - Iaiá; senhor - sinhô - ioiô.
 
A dança da saia, representada pelos alunos dos 6º anos, se assemelha à dança da fita (portuguesa e espanhola), que é adaptada com a saia no lugar fitas, que ganha o colorido estampado e o balanço do carimbó,  dança que tem o passo de tentar cobrir a cabeça do homem. Ou seja, esta é uma dança junina de forte influência afro-indígena.
 
Instrumentos musicais afro-indígenas também fazem parte da cultura junina, como os tambores.
 
A fala caipira é outra característica da miscigenação e que ilustra a festa junina. A palavra caipira:"kaa"- mato; "pir"- corta mato; "pira"- peixe; ou seja, pessoa que vive afastada. Algumas terminologias: ocê, cê - você; nóis - nós; sô - nome da pessoa; butinas - botas; ãssim - assim; sê - se; mió - melhor; ciué - colher; zóio - olhos; oreia - orelha; quintá - quintal; animá - animal; falá - falar; fessora - professora; escrivinhando - escrevendo; carçado - calçado...
 
Realmente, a festa junina é um grande momento de honra a nossos ancestrais, a nossa história, a nossas raízes. É um momento de se olhar e curar nossa nação e nossas almas: 1º dando lugar de pertencimento aos povos de origem; 2º encontrando-nos na hierarquia, reconhecendo a ordem de chegada de cada um; 3º recompensando aqueles que nos deram a vida, a história, o começo, com nossa gratidão e honra.
 
Essa tradição é a prova de que o povo brasileiro é de um grande espírito amoroso, que pode desenvolver a grande virtude de não julgar, não excluir e sim respeitar e aceitar as diferenças.
 
Carla Dalla Longa
e Equipe Multidisciplinar
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